segunda-feira, 16 de novembro de 2009

“OBRIGADO POR TUDO O QUE FIZERAM POR NÓS”

Os ponteiros do relógio aproximavam-se das duas da tarde. Na Ribeirinha, aldeia central do documentário, as pessoas concentravam-se à porta do café Lucky Luke. O dia era especial, pela primeira vez iam ver o filme em que são protagonistas.
Autocarros, contratados pela Câmara de Mirandela, percorreram várias aldeias a apanhar todos aqueles que não têm mais nenhuma forma para se deslocar. Para facilitar o processo, Acácio Amaral, pegou na sua velha barca, que há muito não pousava nas águas do rio Tua, passou, dois a dois, alguns habitantes da aldeia de Barcel, localizada ao lado da Ribeirinha - a falta de uma ponte entre as aldeias faz com que para se deslocarem por estrada tenham de fazer 14 km.
Abílio, ex-ferroviário personagem central do documentário, esteve atento a todas as movimentações. Um contratempo na sua saúde impediu-o de rumar a Mirandela, ao contrário de grande parte dos habitantes.
No Centro Cultural de Mirandela, os 480 lugares não chegaram para acolher todos os interessados, muitos foram os que optaram ficar de pé para ver "Pare, Escute, Olhe". As luzes apagaram-se, do escuro da sala surgiram muitas reacções: riso, silêncio, revolta, um turbilhão de emoções.
No final da sessão, ainda a quente, as reacções custavam a sair: “Estou muito emocionado”; “Nunca imaginei que a nossa terra fosse tão bonita”; “Fiquei feliz por ver muitas pessoas a favor do comboio e contra a barragem”.
O xi coração de Jorge Laiginhas (escritor transmontano), as palavras sábias de Pedro Fernandes (jovem agricultor), o calor humano dos amigos, da família, de todos os que nos acompanharam nesta caminhada, são momentos que vão ficar para sempre na nossa memória, assim como, todas as pessoas que cgegavam ao pé de nós e diziam: “Obrigado por tudo o que fizeram por nós”. É indescritível e difícil de transmitir tudo o que sentimos naquele momento, mas fica a certeza de que valeu a pena os dois anos e meio de trabalho e dedicação. Um agradecimento especial à Câmara de Mirandela, ao Pedro, à Graça e António pelo apoio.

Depois da azáfama da apresentação, no Domingo, passámos o dia na Ribeirinha. Organizámos uma sessão no Lucky Luke para os que não puderam estar presentes em Mirandela, inclusive o Ti Abílio. Resumindo: um momento delicioso a juntar a muitos outros.
Como não podia deixar de ser, a conversa terminou à mesa ao sabor de umas belas alheiras, queijos e enchidos. Regressámos, também como é habitual, com a mala do carro a abarrotar de batatas, cebolas, legumes, alheiras, mimos que há muito nos habituaram. Em Trás-os-Montes sentimo-nos em casa.
OBRIGADO POR TUDO O QUE FIZERAM POR NÓS
Jorge Pelicano e Rosa Silva







7 comentários:

  1. As "gentes" de Trás-os-Montes sabem reconhecer outras gentes com pessoas dentro, como vocês ;)

    Vim o caminho todo, até Paredes, a reviver o que vi e ouvi... A dignidade com que filmaram as pessoas é soberba.

    Parabéns pelo documentário, estou ansioso por vê-lo novamente, agora no cinema.

    Abraço,
    Miguel

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  2. para quando a apresentação na terra natal do realizador??? abraços jorge e parabens

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  3. Bonitas imagens e texto comovente.

    Jorge/Rosa, tenho falado no Doc a várias pessoas - em diferentes regiões do País - que demonstram interesse em o ver. Mas como? Haverá alguma forma?
    E, depois do filme que tanto nos mexeu na consciência, que acções se seguem?

    Um abraço de gratidão,
    Lília, Lisboa, apaixonada pelo Tua

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  4. Caros amigos, perdoem-me a pergunta "off-topic": alguém me sabe dizer como posso contactar o Sr. que aparenta ser o construtor da locomotiva em miniatura (última foto do post)?
    É do Ti'Abílio que se trata?
    Obrigado!

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  5. OLá,

    Não é o Sr. Carvalho.

    Contacta-nos através do mail para falarmos melhor: pare.escute.olhe@gmail.com

    Cumprimentos, Rosa Teixeira da Silva

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  6. Percorri alguns dos locais da linha do Tua o ano passado e já este ano, e é de facto uma pena perder se algo tão importante como é esta linha, por tudo o que representa.
    Parabéns por este trabalho.

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